
O Ruído do Sangue
Ouço...
na boca que brilha.
Poeta maldito,
vagabundo profundo.
Roupa aristocrática imunda,
sentada, vidrada,
nas margens do Douro.
Mágico, o miserável outro,
impressiona, bem o sabe,
com o truque da pequena quadra.
Poesia instantânea do rato morto.
Alimento para uns,
arte para outros.
Pega no animal
pela cauda sedosa.
Come-lhe a alma
à pequena dentada.
O ruído do sangue
não deixa ouvir mais nada.
Ouço...
Naqueles com sereias nas veias.
À distância de uma
sarjeta de lábios.
Pássaro de Bosh,
negro, desfeito,
que se engana mais uma vez
a meu respeito.
Melodia espelhada, arsénica, entoada.
Insuportável como as grandes obras
da música Falseada.
Ouço...
Na noite que morre.
Quando me conto
Entre as baixas servis
das horas pequenas.
Crianças-soltura.
Mandrágora-o Tema.
Ouço...fiel.
Quando bate lá em baixo.
Descontrolado
e fora de tom.

Adorada, deliciosa, saborosa vampira
Quero me perder em teu corpo
Sentir no meu pescoço a tua boca
Teus caninos cravados em mim
Tua língua saboreando meu sangue
O doce sabor dos teus beijos
Suas mãos a percorrer o meu corpo
Me apertando de encontro a você
Sentir o teu calor de desejo por mim
Desejo te possuir num prazer eterno
Preciosa alma num corpo de mulher
Vampira mulher.. amante e companheira.

TENTAÇÃO DE UM VAMPIRO
Vaga à noite a procura de comida.
Vê várias mulheres andando despreocupadas.
Mulheres lindas,
Com lindos pescoços.
E as artérias,
Palpitando cada vez mais rápido
Quando estão com medo.
Ah tentação!
Ele olha profundamente,
Nos olhos de uma delas.
Ela tenta se mexer,
Mas está paralizada, apavorada.
Sem nenhuma piedade,
Ele ataca.
Com tanta rapidez, que é por isso
Ninguém ainda Ter visto um vampiro.
por Aline Rando
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